Quanto Custam Os Nossos Erros

Quanto Custam Os Nossos Erros Ou Quanto Devemos Pagar Para Os Cometer

Os erros pagam-se caro

Sempre ouvi isto, mas será que é sempre verdade?

A sabedoria popular sempre foi rica em conhecimento e bons conselhos.

Mas, sabiamente, também sempre se soube precaver para cada situação.

É por isso que há quase sempre um ditado que encaixe na perfeição em qualquer desfecho.

Errando é que se aprende

“Mais vale errar que não fazer”

“Os erros de uns são as lições de outros”

E certamente que haverá outros exemplos.

Como é também do senso comum, o caro e o barato são subjectivos.

A percepção de valor é diferente para cada um de nós.

Cada um valoriza as coisas e experiências de forma diferente.

É por isso que há erros que podem custar imenso dinheiro mas terem como resultado uma aprendizagem.

Aí tanto se poderem encarar como um prejuízo ou como um investimento.

Os Prejuízos

Consigo identificar vários momentos ao longo da minha vida em que os erros que cometi representaram prejuízos:

  • Multas de trânsito – uma vez fui levantar uma encomenda para a empresa onde trabalhava e meti-a na mala do carro (um comercial); 3 dias depois fui parado numa operação STOP e pediram-me para abrir a mala. Para minha surpresa, ainda lá estava a encomenda que me tinha esquecido de deixar na empresa, ao contrário da factura e guia de transporte que tinha deixado no escritório 3 dias antes… 250.00 euros de multa.
  • Simples perda de dinheiro em parte incerta – já devo ter perdido várias dezenas de euros ao longo da minha vida (embora por vezes tenha agradáveis surpresas quando visto calções ou casacos que não uso há meses!).
  • Distracções várias – ainda este mês paguei 27.05 euros por uma mensalidade do Linkedin Premium porque me esqueci de cancelar atempadamente o registo depois de ter subscrito o primeiro mês gratuito…
  • Compra de artigos que não valiam o que paguei ou deram mais problemas que proveitos – há 1 ano comprei duas mesas de exterior… eram maciças, pesavam uns bons 40 kg e tive que as ir recolher a um 3º andar… para tornar tudo mais memorável, não passavam na porta do meu prédio e tive que as desmontar na rua… pior compra de sempre!

Os Investimentos

Mas por vezes também cometo erros – e caros – mas que valem valiosas lições ou que, no mínimo, fazem-me seguir em frente evitando insistir por certos caminhos.

Certa vez paguei 51.00 euros por um serviço que, supostamente, me daria várias informações sobre um tema, o que se traduziria numa vantagem com a qual poderia lucrar.

Após usar esse serviço, comparei as “informações privilegiadas” com as minhas próprias observações, e deduzi que nada de significativo foi acrescentado.

Disto tirei duas conclusões:

Por um lado, as minhas próprias análises são relativamente bem fundamentadas (o que é bom).

Por outro, devo fazer sempre uma análise de custo/benefício antes de pagar por qualquer artigo ou serviço.

Resumindo, por 51.00 euros fiquei a saber que tenho bons conhecimentos sobre aquela área e aprendi uma boa lição para o fututo.

Um erro ainda bem mais caro que cometi foi ter pago para me tornar consultor de uma empresa!

A empresa era totalmente legítima e os serviços e produtos que vendem são de boa qualidade.

O problema é que o seu modelo de negócio – que é bem sucedido – baseia-se em Marketing Multi-Nível (MMN) e a angariação de novos consultores era fortemente incentivada.

Apesar de ter tido toda a informação atempadamente e de a empresa ser 100% clara quanto ao seu modelo, só após alguns meses é que realmente me apercebi que tal modelo não é para mim.

Esta evidência permitiu-me clarificar uma coisa:

Qualquer negócio de MMN é um mau negócio! (pelo menos para mim).

O Marketing Multi-Nível

Sei que há empresas que operam segundo este modelo que são completamente fidedignas.

Mas sei também que essas representam uma pequeníssima fatia do panorama geral.

Sei que há muita gente que ganha – e bem – a vida a trabalhar segundo estes modelos.

Mas sei também que a maioria esfola-se para não ter prejuízo…

A razão disso é que qualquer negócio MMN tem como actividade-base a angariação de novos consultores/vendedores/colaboradores.

E o MMN exige que o consultor/vendedor/colaborador aja agressivamente na angariação de novos elementos para a sua rede de forma a cumprir mínimos de vendas, o que os obriga a serem realmente CHATOS!

É muito difícil ser-se um “empresário” de um negócio de MMN sem ficar colado a uma imagem de “”chato”, “manipulador” ou pior, de alguém só com “conversa de vendedor” ou até “charlatão”.

As excepções que existem são isso mesmo, excepções.

O Que Ganhei Com Este Erro

Tenho a certeza que se tivesse seguido por este caminho iria deixar de ser convidado para jantares de amigos ou outras interacções sociais.

Iria-me tornar naquele tipo chato e inconveniente que está sempre a tentar convencer alguém de que…

“esta é uma fantástica oportunidade de criares o teu próprio negócio”

ou…

“este produto é mesmo muito bom, tens que experimentar” (e ignorar o facto de que o seu preço está 200% inflacionado).

Pois bem, graças a este meu erro e à forma como o cometi (mergulhando a fundo), sei que nunca mais vou experimentar qualquer negócio que funcione segundo o modelo de MMN, mesmo que acredite no produto.

Esta aprendizagem me custou umas centenas de euros (!).

Mas também ganhei alguma coisa…

Poupou-me imenso em tempo, dinheiro e amizades perdidas ao evitar que volte a cair no erro de querer ter uma rede de pessoas a trabalhar para mim, pelo menos desta forma.

homem-a-chorar
há erros que doem

Por outro lado, criei algumas relações que considero valiosas para a minha rede de conhecimentos.

Tenho a certeza que mais cedo ou mais tarde as irei saber aproveitar.

Moral da História

É óbvio que devemos evitar os erros.

É claro que qualquer prejuízo é negativo.

Mas o importante é aprendermos com todas as situações e sabermos encontrar o lado positivo das nossas más decisões.

Sairmos fortalecidos das experiências, mesmo que a um custo, pode trazer a longo prazo benefícios que compensem a perda inicial.

Como dizem os Americanos, “fail fast“.

Não chores sobre o leite derramado e aprende com os erros, isso vai certamente poupar-te muito dinheiro no futuro.

É assim que podemos transformar erros caros em investimentos proveitosos, saibamos aproveitá-los!

Quais foram os teu maiores erros e as maiores lições que aprendeste com eles?

Quanto Vale Uma Hora do Meu Tempo

Afinal quanto vale uma hora do meu tempo?

Esta é uma pergunta que todos deveríamos fazer.

Trocar tempo por dinheiro é algo que a maioria de nós tem que fazer.

Seja através de um emprego ou no nosso próprio negócio, ou realizando simples tarefas do dia-a-dia como limpar a casa ou ir ao supermercado.

Fazer essas actividades custa-nos o nosso bem mais precioso, TEMPO.

ampulheta

É difícil quantificar o valor do tempo para cada um de nós, pois isso está intimamente relacionado com a nossa percepção de abundância ou escassez deste recurso.

Um jovem no início da sua carreira estará mais receptivo a trabalhar 80 horas por semana para aumentar os seus rendimentos e ter uma progressão profissional mais rápida.

Alguém que, por outro lado, veja o final da sua vida a aproximar-se daria de boa vontade todo o seu dinheiro para poder passar mais uns anos com a sua família.

Mas este é um aspecto mais existencial do tema, e o que pretendo aqui é abordar este assunto de um ponto de vista mais factual.

Quanto Vale Uma Hora do Meu Tempo?

É possível quantificarmos quanto vale uma hora da nossa vida?

Conseguimos definir quanto ganhámos numa hora ou quanto não ganhámos nessa mesma hora se estivermos a fazer outra actividade não relacionada com trabalho?

Esta questão é importante para decidirmos se é compensador pagarmos por algo ou a alguém para fazer uma actividade por nós.

Devo limpar a casa ou pagar a uma empregada de limpeza para o fazer por mim?

Devo andar às voltas com as definições do meu site ou pagar a um técnico que perceba bem mais do assunto que eu?

Pondo de parte a questão do comodismo ou da qualidade do serviço e olhando meramente para o benefício de ganho de tempo, é ou não rentável pagar a alguém para fazer uma tarefa por nós?

A resposta mais simples é: depende!

Socorrendo-me do lugar comum “tempo é dinheiro”, resta-nos calcular quanto dinheiro vale o nosso tempo.

quanto vale uma hora do meu tempo

O valor que pago a uma empregada de limpeza é inferior ao que ganho no tempo que poupei ao contratá-la? Se sim, então é um bom investimento.

Se não for, então estou a perder dinheiro.

Mas esta resposta é demasiado simplista, e calcular o nosso valor por hora é bastante mais complexo do que parece.

Mais simples é a resposta à seguinte pergunta:

Quanto Vale Uma Hora do Meu Trabalho?

Como é que posso quantificar o valor do meu trabalho realizado numa hora?

Se um artesão fizer uma peça em 1 hora e a vender por 100 euros, uma hora do seu trabalho vale 100 euros.

Se um consultor cobrar 50 euros por hora, é isso que vale uma hora do seu trabalho.

Mas será assim tão linear esta relação?

Será que em cada hora que a empregada está a limpar a minha casa, eu faço uma peça ou dou uma hora de consultoria?

É pouco provável…

E se eu tiver um emprego “normal”, devo dividir o meu vencimento pelas horas de trabalho?

1000 euros por mês / (7 horas x 22 dias) = 6.49 €

É isto que vale uma hora do meu trabalho?

Hmmm…. e então os períodos de férias? E os subsídios de férias e de Natal? E se receber um bónus anual?

Para diluir estas variantes, é comum usar-se uma estimativa “por alto”, usando valores anuais:

Consideram-se 40 horas de trabalho semanais e 46 semanas de trabalho num ano

40 horas por semana (não considero as 35 horas estabelecidas por lei de forma a compensar o tempo que usualmente se trabalha “fora de horas”) multiplica-se por 46 semanas (52 semanas do ano menos 5 semanas de férias menos 1 semana correspondente a feriados/pontes)

Então e as restantes 17 horas do meu dia, valem zero?

Se a empregada limpar a minha casa fora do meu horário de serviço, estou a ganhar zero euros??

Assim sendo será sempre um mau investimento.

E se para trabalhar tiver que pagar transportes, comprar roupa “executiva”, almoçar fora, etc., não devo abater esses custos ao meu rendimento?

É por estas questões que não gosto deste método de cálculo, pois não me dá uma imagem real do meu rendimento.

Então qual é o melhor método?

Não sei!

Ainda estou à procura, mas tenho feito alguns progressos.

Recentemente cruzei-me com este artigo muito interessante.

Introduzem na equação a questão do valor que nós atribuímos ao dinheiro e ao nosso próprio tempo.

Fazem perguntas que realmente nos obriga a ver as coisas de outro prisma.

Questões como…

“quanto tempo esperarias numa fila para obter um cartão de oferta no valor de 100 euros?”

ou…

“quanto é que um trabalho em part-time teria que pagar para que tu trabalhasses uma hora por semana?”

Este tipo de questões fez-me aplicar uma engenharia inversa a este “problema”.

mecanismos do dinheiro

Quanto é que estou disposto a pagar para ter mais tempo livre é algo que já havia ponderado, mas nunca tinha pensado em quanto tempo estava disposto a despender para ganhar algum extra.

Esta variante é bastante importante para responder à questão de quanto vale uma hora do meu tempo.

Faz o teste, é bastante rápido e provavelmente vais chegar a algumas conclusões surpreendentes!

Eu vou continuar à procura da melhor forma de calcular quanto valho por hora, e de tudo o que isso implica.

Entretanto tenho a certeza de três coisas:

  • Assim que pagamos por uma tarefa, dificilmente queremos voltar a fazê-la.
  • Gastar dinheiro em tempo é bastante mais recompensador do que gastar dinheiro em objectos.
  • O tempo é o nosso bem mais precioso, mas inútil se não tivermos capacidades mentais para o aproveitar.

Alguma vez tentaste calcular o valor do teu tempo?

Que métodos usaste?

Partilha as tuas ideias, qualquer ajuda será extremamente bem vinda!